Contos Bizarros

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Contos Bizarros
O Nada

O carro descia a avenida desgovernado, ajeitei os retrovisores, em um gesto inútil e sem necessidade, a respiração desconstruída, o hálito frio que entrava pelas janelas, tudo me movia ao desespero.

Soprei ordens ao destino pela milésima vez, ele ignorou e sacudiu os ombros, a velocidade aumentava, fiz um sinal apagado para um rapaz da calçada que ignorou e continuou rindo e conversando com a garota ao lado, ela também ria e tocava nos ombros dele, seus olhos estavam com uma expressão de medo, não pude saber o porquê. 

O carro avança pelo sinal vermelho e por uma migalha não se espatifa com um ônibus cruzando a rua, aperto as mãos ao volante e mantenho a cabeça ereta, meus ouvidos estão em uma frequência dilatada, vozes estranhas invadem cada poro do meu corpo, inclino-me em direção à janela e vomito na rua, o vento traz quase tudo de volta, o cheiro azedo, a cor de anteontem sobrevoava o banco da frente e estacionava por todo o assoalho, a rua passava por baixo do carro como uma esteira, sentia minhas mãos tremerem e o suor deslizar pelo rosto, o gosto salgado escorria pelos lábios, enxergava apenas o horizonte distante, cada vez mais próximo e colado ao meu lado.

O gosto de cerveja na boca, o cheiro de morte no ar, apertei as mãos no volante até meus dedos ficarem marcados, a cortina de ódio e fumaça se dissipava no ar, tudo era medo e rancor, ódio cintilando.

Ela nunca mais faria aquilo de novo, eu sei, nunca mais me faria de bobo em meio aos meus amigos, aquele olhar falso de esperança, os lábios tremendo, as mãos lisas deslizando nas minhas, tudo agora era passado, tudo era alfabeto desenhado na água, incompreensível e invisível.

...

...

...

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