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INSÔNIA — SURTO CAÓTICO

 

O frio da noite de São Luís invadiu o quarto de forma cautelosa e traiçoeira, penetrando através da janela que Jhon Cavanaugh teimava em manter aberta, mesmo de madrugada. O ar gélido percorreu seu corpo cansado fazendo-o se arrepiar sob o lençol, resgatando-o aos poucos de seu breve sossego noturno. Sua mente hiperativa fica perdida em labirintos de se mesma e se despedaça presa a devaneios macabros que, dia após dia, insistem em lhe atrapalhar o sono. Além é claro, dos malditos gemidos que há duas semanas lhe importunam.

Jhon acordou e olhou para o relógio digital sobre seu criado mudo e viu que seus números brilhavam esverdeados, marcando três da manhã. Ele esfregou os olhos com as costas das mãos e virou para o lado, tentando encontrar uma posição adequada para talvez voltar a dormir. Mas, além do frio e dos gemidos constantes, sons de algo arranhando o chão surgiram para infernizar ainda mais a noite do miserável. Seu corpo estava dolorido por cavar durante toda aquela manhã e ainda sim, o cansaço físico e mental não foram suficientes para que o sono lhe visitasse. Amaldiçoou o deus Morfeu por sua incompetência divina, enquanto mais uma vez rolou pela cama acompanhado de perto pelos gemidos e arranhões sob o piso de seu quarto. Ele girou para a esquerda e depois de algum tempo, para a direita. Bocejava e resmungava, maldizendo sua noite e os ru

Imerso na escuridão, Jhon tentava fitar o forro de gesso de seu quarto. Ao seu redor os gemidos escavavam seus pensamentos, arranhões lhe estupravam os tímpanos e, como se toda aquela algazarra não fosse demasiadamente perturbadora, choros e resmungos reuniram-se para fazer parte da sinfonia da destruição.

"Estaria eu louco?" Cavanaugh berrava para si mesmo dentro dos seus pensamentos esquizofrênicos. Sua sanidade estava indubitavelmente comprovada. Para ele os antidepressivos não passavam de uma tentativa fútil da indústria farmacêutica de lucrar às suas custas. Tinha absoluta certeza disso. E, apesar de seus olhos estarem latejando em sua face; os dentes mordendo os lábios a ponto de fazê-los sangrar e, suas mãos apertadas contra o colchão, ele não se sente mal. Nem ao menos nervoso. Os gemidos viraram gritos... os arranhões viraram pancadas e os choros e resmungos, transformaram-se em súplicas e pedidos de misericórdia. Cavanaugh, cansado pelo longo esforço repetitivo daquela manhã, se desesperou e se armou com seu velho travesseiro antes deixado de lado em suas noites frias e solitárias.

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