Rumo Novo

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Rumo Novo
Capítulo I

Alexandra


Quando cheguei ao final das bodas de prata dos meus pais adotivos, pude perceber os olhares atravessados da família, certamente eles deduziam o quanto era ingrata e insensível para se atrasar em uma data tão especial para as pessoas que me acolheram e deram a chance de ter uma vida digna e futuro promissor na carreira de modelo. Ao passo em que o casal se esforçava para a pose perfeita, sentava em um banco fora do alcance dos familiares que volta e meia exigia que fosse mais grata a todos os sacrifícios dos meus pais adotivos, se essa cobrança já não fosse um castigo, era obrigada a suportar todos os sermões da família durante a fase da adolescência à juventude, pois, decidi que já era hora de ter um espaço só para mim, no início foi difícil ter o consentimento da mamãe, mas consegui devidos os inúmeros trabalhos em vários lugares, mas, ainda assim era alvo das críticas e julgamentos da minha avó materna e os dois tios, irmãos da mamãe. No começo aos meus sete anos presumia que a antipatia fosse por causa da minha origem indígena, pois, era uma índia entre uma família descendente alemã, todavia que saía com a família todos me encarava de cima a baixo gerando um certo constrangimento para nós.

— Oi!? Posso me sentar aqui? _um garoto perguntou em uns trajes bastante simples para um lugar que exigia extrema elegância ainda mais se tratando da família Almeida. Sendo assim apenas assenti com a cabeça com a visão de volta aos parentes que esbanjavam alegria como se estivessem em um desfile de escola de samba no Rio. Ao olhar de volta para o garoto, ele parecia perdido com a cabeça baixa encapuzado com um moletom dos Bulls.

— É a primeira vez que participa de umas bodas de prata? _pergunto para quebrar o clima estranho entre nós, porém, ele olhou em meus olhos mantendo um semblante fechado que dizia: Não estou pra papo.

— Sim.

— Não concorda comigo que está um pouco chato para uma comemoração como essa?

— Na real, por mim tanto faz. _ele respondeu não dando a mínima para o assunto ou para mim.

-Vou pegar uma bebida para mim, aceita uma? _minha última tentativa.

— Claro, por favor. _ele confirmou para alívio da minha parte.

Poucos minutos depois voltei com duas taças de coquetéis, no entanto, o garoto ainda permanecia de cabeça baixa, o chamei várias vezes com a bebida estendida na mão, porém, ele não escutava, sendo assim sentei ao lado o que provocou um susto nele, a reação o fez derramar sobre nós.

— Desculpa, não tinha percebido a sua chegada. _ele falava ao passo em que abaixava o capuz, em seguida retirou o moletom demostrando o corpo bem alinhado.

— Tudo bem, eu acho que você provocou a minha desculpa para sair desse lugar contagiante.

— Quê?

— Esquece… Como se chama? _perguntei conforme dividia a minha bebida com ele.

— Sou o Miguel e você?

— Sou Alexandra, mas os mais próximos me chamam de Lexie. _respondi percebendo o quanto os olhares das pessoas aos redores os incomodavam, talvez esse fosse o motivo para que ele preferisse a solidão ao invés de se enturmar com o pessoal, mas confesso que desde a minha saída de Amazonas até o Rio Grande do Sul a vizinhança me fazia sentir como uma alienígena devidamente os comentários e olhares com a minha presença, apesar dos meus pais sempre me tratarem como uma filha, os parentes que residem conosco desde a minha chegada se comportavam como se eu fosse um objeto indesejável e desagradável.

Enquanto deixávamos aquele lugar insuportável, conversamos sobre vários assuntos, quer dizer o garoto apenas ouvia tudo que eu falava sobre a minha vida, embora demostrasse um jovem bastante fechado, ele era um bom ouvinte, em tudo que pedia alguma opinião, ele refletia por alguns segundos e em seguida respondia somente com duas palavras o que me impressionou bastante. Aos poucos paramos na Praça das Etnias, um lugar que recebeu esse nome por conta de ter abrigados três povos colonizadores: alemã, italiana e portuguesa. No entanto, o lugar era uma parada obrigatória para um pão fresquinho.

— Você sabe tanto sobre mim, mas percebi que a única coisa que sei ao seu respeito é que você é muito cismado. _falava após tirar um pedaço de cuca, um pão doce típico da Alemanha, pela expressão agradável no rosto ele havia apreciado a iguaria.

— Olha não sou cismado, apenas não gosto de dividir a minha vida com as pessoas.

— Então vamos fazer assim, você me conta algo sobre você a cada dia, cê topa?

— É um plano bem estranho, mas topo com uma condição. _ele dizia já no terceiro doce.

— E qual seria essa condição?

— Que responderei sobre qualquer coisa, exceto sobre a minha família. Tudo bem?

— Me diz um bom motivo e aceitarei numa boa. _embora fizesse a minha melhor carinha de pidona ele demostrou relutante.

— Sim ou não? _ele perguntou taxativo.

— Tudo bem, mas me dar seu número.

— Pra quê? _encarei o garoto com uma das sobrancelhas arqueada, mal podia acreditar na tamanha inocência dele.

— Pra podermos manter contato, por caso você é de Marte?

— Engraçada, você. _ele respondeu ao passo em que nos aproximarmos de uma arquitetura toda feita com madeira. Ao olhar as horas no celular percebi que faltavam alguns minutos para o jantar especial. — Preciso ir. _rimos ao falamos ao mesmo tempo.

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