Rom Histórico
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Capítulo

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Capítulo 1 - Erich

Desci do trem mais desorientado do que de costume, só para me ver em outro acampamento militar. Parecia igual ao anterior: a terra seca e sem plantas, barracas verdes enfileiradas, soldados sujos e de farda amarrotada andando por ali.

Eu não sabia bem o que fazer agora que tinha chegado, e os outros que tinham desembarcado comigo também não. A maioria era uns rapazotes de dezessete ou dezoito anos, que nunca tinha pegado numa arma, recém-chegados ao front. Eu também era, mas só àquele batalhão — fazia um bom tempo que estava na frente de batalha contra os russos. Só que, agora, tinha sido transferido. O motivo? Só Deus sabia. Ou talvez nem Ele. Talvez, no fim das contas, nada tivesse um motivo de verdade naquela guerra.

Os outros rapazes pareciam assustados. Eu também estava, um pouco, mas tentava não mostrar isso. Não ia dar a ninguém o prazer de me ver daquele jeito. Era uma questão de tempo até começarem a fazer palhaçadas comigo, e queria adiar isso; mas sabia que em breve, eu ficaria conhecido como Erich, o maluco, do mesmo jeito que me chamavam no batalhão anterior. Não, eu não era louco. Mas achavam que eu era. Tudo bem que eu não era lá muito normal, mas ainda assim era bem lúcido, por mais que aquela maldita voz na minha cabeça dissesse o contrário. Por falar na voz, ela mal tinha aparecido durante aquele dia todo. Resolvi interpretar isso como um bom presságio. Quem sabe aquele batalhão fosse melhor do que o anterior.

Mas meu bom humor se desmanchou assim que o comandante chegou. Pelo menos, eu achava que era o comandante. Vamos apenas dizer que, se eu já estava meio assustado antes, aquele sujeito não ajudou nem um pouco a minha situação. Ele era um gigante de uns dois metros de altura e cego de um olho, com umas cicatrizes no rosto, expressão muito severa e um uniforme desalinhado com uma mancha que eu tinha certeza que era de sangue. Quando o vi, precisei me segurar para não dar um passo atrás. Ou quem sabe uns vinte passos. Ou voltar para o trem.

O gigante se apresentou como o capitão Gunther Schmeling, comandante da nossa companhia. O comandante do batalhão era o major Ludwig Diefenbach que, aparentemente, não estava ali. Ele falou mais um monte de coisas que talvez fossem importantes, às quais não prestei atenção, e depois finalmente saiu. O trem também saiu no mesmo instante, como se tivesse sido combinado, fazendo aquele barulho de locomotiva que eu já tinha ouvido tanto que acabei enjoando. Se bem que eu não reclamaria de ouvir aquele barulho de novo, pelo tempo que fosse, se pudesse entrar no vagão outra vez e voltar para casa.

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