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Capitulo dedicado à: quem está longe do seu grande amor.


2 – O telhado

            Respirei fundo antes de subir na mureta cinzenta. Fechei os olhos e elevei meu rosto aos céus, sentindo o calor suave do sol de fim de tarde contra a minha face e o frescor do vento que balançava os meus longos cabelos negros. Havia também o leve aroma de pão assado e café da copa que ficava umas duas janelas de distância. Abaixo dos meus pés, um palmo de alvenaria me separava de uma queda livre de dez andares. Apesar da aspereza do cimento gasto que machucava minha pele, eu continuava ali, braços esticados e roupa branca balançando ao sabor do vento. Para frente eu cairia e me libertaria, para trás...

Para trás continuaria no meu inferno pessoal.

Lembrei-me de uma das muitas aulas sobre reações instintivas que tive no curso de psicologia. Meu professor chamava de circuito do medo os padrões de comportamento que tínhamos frente ao perigo: fuga, paralisia, luta ou desmaio. Parecia tão simples afirmar que eu ativara o circuito do medo durante o assalto e, de todas as opções, meu cérebro decidiu que a melhor escolha havia sido lutar. Que grande erro! Foi estarrecedor explicar para os pais dos gêmeos que uma má escolha minha levou à morte de Stella e ao coma de Gustavo.

Desci do parapeito, voltando para a segurança da cobertura do hospital. Gostava do silêncio relativo daqui, transmitia uma paz que de outra forma não sentiria. Descobri esse lugar por acaso no início do semestre. Estava procurando o centro administrativo para validar o meu crachá como estagiária em psicologia hospitalar, quando peguei uma curva errada no corredor e terminei no telhado. Achei bela a vista alta do Campus, da cidade ao redor e da pequena reserva de mata no meio da universidade.

Amava a solitude do telhado. Mesmo que o acesso não fosse restrito, ninguém vinha aqui. As condensadoras de ar-condicionado faziam uma sinfonia barulhenta e jogavam ar quente. O que eu adorava, já que a cacofonia de ruídos isolava os meus pensamentos e o calor me mantinha aquecida nos dias mais frios. Era estranhamente reconfortante.

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