Capítulo

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Prólogo

"Servir e Proteger" aquelas palavras foram lidas inúmeras vezes por mim desde que entrei naquela delegacia, com o meu olho esquerdo, pois o direito ainda está tão inchado que só vejo borrões, o que é uma coisa boa, segundo os médicos. Para eles é um milagre não ter pedido a visão . Tento ajeitar minha postura , mas acabo desistindo diante da dificuldade por conta do gesso que tomou conta de grande parte do meu abdômen, protegendo as costelas fraturadas, também está minha perna e braços esquerdos. Sem contar o meu maxilar que foi deslocado e os mais diversos hematomas que dominam cada centímetro do meu corpo.

Mas nada me incomodava mais que os olhares das outras pessoas que ali estavam , sei que já deveria estar acostumada com os julgamentos, a curiosidade e a pena que dominam cada um deles que insistem em nem ao menos disfarçar que estão olhando para mim. Leio mais uma vez aquelas palavras, fingindo que não me importava com eles . Fingir , uma palavra que achei que jamais usaria na prática , até que ela surgiu e se tornou minha companheira nos últimos cinco anos. Bem como indas e vindas da delegacia, depoimentos, aqueles olhares, a consciência pesada e as várias e várias vezes em que quase morri. Só de lembrar essa última parte as lágrimas, outra coisa que passou a fazer parte constante da minha vida, surgem, queimam meu rosto por onde escorrem , morrendo em meus lábios ainda inchados e roxos. Mas nenhuma dor que eu esteja sentindo agora, chegará perto da dor que ele me causo durante todo aquele tempo.

Nunca mais, repito para mim mesma. Bem como a frase que a minha mãe disse para mim da primeira vez que entrei em uma delegacia: A culpa não é minha.

— Catarina Araujo Freitas ? – chama uma jovem de cabelos castanhos com um enorme distintivo pendurado no pescoço de uma das portas. Olho para ela que retribui com um olhar chocado, por mais que tentasse evitar e fingir que estava tudo bem com o seu sorriso treinado. Ergo minha mão devagar e ela pergunta — Vamos?

Levanto devagar sentindo cada parte do meu corpo desejando desmoronar pelo chão. Caminho em sua direção enquanto ela ainda sorri tentando transmitir um pouco de confiança, esperança e por que não... fé. Não retribuo seu sorriso por não acreditar que exista nada daquilo. Não mais, essa parte foi uma das primeiras coisas que ele tirou de mim

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