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Projétil de Carne

E lá está o cangaceiro voador. Entre o cavalo e o chão, ele é apenas uma massa de carne sangrando. Cair do cavalo — quando isso é o último tombo da vida — é algo que demora um bocado. Então o voador sente mais um tiro. Nas costas. O corpo dele fica pesado e isso vai acelerar a queda — talvez em um milésimo de segundo, quem sabe? Ele está próximo do chão e sente a poeira tocar o seu rosto.

Ele quer saber:

“Quem, diabus?” (Mas ele não consegue falar, ele só pensa e geme.)                                                                             

O vento começa a empurrar a areia para dentro da boca do voador. Ele já vai tocar o chão, mas antes disso escuta uma voz do bem, e essa voz o motiva nesse milésimo de segundo antes da queda. Escuta também uma voz do mal e escolhe a voz do mal, porque na voz do mal ele é o cara mau que mata e não morre.

E agora o voador beija o chão e sente a barriga pegar fogo. Outro tiro. Ele acha estranho, pois está com a barriga presa contra o solo. Esse cangaceiro que estava suspenso no ar e que acha estranho a terra ter atirado contra o seu ventre não consegue controlar a bexiga e o intestino. E, como se as coisas não pudessem piorar, o estômago resolve expulsar o café da manhã, o almoço e o jantar. O caldo sobe numa velocidade impressionante e o que temos é: farpas de mandioca e grandes pedaços de buchada.                          

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