Capítulo

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Aspersão

 “Como fede o milho quando tocado pelo diabo.”

Severino se levantou, deu aquela sacudida na roupa para tirar a terra e foi até o meio do canteiro. A mangueira repousava sobre as hortaliças e estava entupida. Ele se abaixou, cortou e balançou o tubo de borracha; as vísceras que obstruíam a passagem caíram. Enrolou a fita unindo as partes e seguiu para o velho galpão.

A mesma rotina todas as noites: vistoriava toda a plantação e o equipamento — checava o manômetro, os tubos e o conjunto motobomba. Em seguida, ligava o sistema de irrigação. Após as primeiras horas de trabalho, os orifícios ficavam entupidos. O agricultor, então, interrompia o seu passeio noturno.

As duas primeiras ruas ficavam ensopadas, a terra sugava o sangue até virar barro. Ele descia, irrigando os sulcos, banhando-os em toda espessura e profundidade. Transbordava sobre as hortaliças enquanto o sistema de aspersão cobria os canteiros numa desarmônica chuva sangrenta.

As couves exalavam o cheiro de carne humana; as alfaces e os rabanetes conseguiam disfarçar.

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