Capítulo

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Ato 01 de 07.

A espiã entrou no quarto em silêncio, cada passo era calculado, movia-se com a destreza de uma gata. Colocou os óculos feitos especialmente para ela e foi até a janela. As persianas estavam abaixadas, mas isso não era problema. Ada apanhou o celular e sussurrou as palavras “Raio X” e no momento seguinte ela enxergava do outro lado da parede como se observasse em uma tela de tons azuis. Havia muito movimento na rua, dois andares abaixo.

Ada estava em Xeng Tsun Xan, uma província na China. Assim como diversas localidades no país, ali era um lugar esquecido pelas autoridades, os policiais locais aceitavam propinas e deixavam a população pobre e indefesa nas mãos da máfia e de traficantes locais. Obviamente esse era também o local perfeito para transações do mercado negro de armas de todos os tipos, inclusive armas biológicas. Havia duas semanas que a espião trabalhava disfarçada, vigiando, apenas observando à procura de seu alvo e finalmente o encontrara.

Shang Lee chegaria logo e então ela teria uso para o potente Dragunov sobre a mesinha no mesmo quarto da minúscula pensão. Não haviam outros pertences ali, nem equipamentos nem roupas ou qualquer outra coisa. O objetivo era simples: localizar o alvo, identificá-lo, eliminá-lo e sair antes que pudesse ser capturada. Tarefa padrão no tipo de serviço que a mulher fazia, mais simples que invadir um laboratório superprotegido e escapar com um pacote frágil em mãos sem ser perseguida por concorrentes ou caçadores. O único problema era o barulho que o rifle fazia ao disparar, mas a mulher já havia pensado em uma forma de corrigir essa inconveniência.

No bar onde o traficante se encontraria com o negociador do mercado negro um sem número de pessoas entrava e saía. Local perfeito para tais transações, pois não havia espaço para a polícia realizar uma perseguição, tampouco um agente do governo ou da Interpol atacar sem colocar as vidas de civis em risco. Felizmente a espiã era treinada para esse tipo de atividade, não seria necessário que houvesse mais baixas que o estipulado.

Em dado momento um grupo de crianças passara correndo em frente ao estabelecimento, todos sorrindo e brincando pelas ruas sujas e sem pavimentos. Uma das meninas, aparentando ter cerca de sete anos carregava um cata-vento de papel nas mãos. O objeto girava com a ação do ar enquanto a menina corria, suas muitas corres se misturando com o movimento. A cena levou a mulher que observava para um outro tempo, uma outra época, uma outra dimensão em um mundo distante, há muito esquecido em sua mente. Nesse mundo havia também uma menina aparentemente da mesma idade. Brincava na varanda de uma casa de madeira com um cata-vento de papel feito pela mãe que sorria ao seu lado. O último sorriso de sua mãe, para ela.

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