Corações Marcados

Romance

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Corações Marcados
Capítulo 19

Elena

Eu tinha seis anos quando entendi que minha mãe não me amava. Estava na pré-escola. Fiz um cartão de Dia das Mães, com corações, nós duas de mãos dadas e, no centro dele, escrevi: “Eu te amo, mamãe”. Rita o rasgou na minha frente. Lembro-me ainda de suas palavras: “É com isso que sua professora gasta o material que suei para comprar?”.

Ela não havia suado para comprá-lo. Todos os gastos necessários comigo foram pagos pelos homens com os quais minha mãe saía. Eles costumavam “recompensá-la” após as noites que passavam juntos no quarto ao lado do meu, em São Miguel Paulista. Rita deixou minha avó e o Campo Limpo para trás assim que completei três anos. Nunca compreendi muito bem por que ela me levou junto se pretendia me abandonar seis anos depois. Mas hoje penso que sua intenção era causar sofrimento à minha avó, que era apegada a mim (vó Fátima me disse isso mais tarde).

Os atos cruéis de minha mãe só se intensificaram conforme fui crescendo. Raramente ela me chamava pelo nome; eu era a “preta imunda”. “Você está vendo essa pele branquinha e esses cabelos loiros, sua preta imunda? Você nunca será tão bonita quanto eu”, ela declarava sempre, sem qualquer preocupação com os efeitos colaterais de suas palavras em mim. Mas sua forma preferida de me fazer sentir um lixo era comer algo saboroso e me dar os restos de seu prato, alegando que criança não precisava comer tanto quanto um adulto.

Seu desequilíbrio psicológico era visível. Para uma criança, porém, o entendimento disso é impossível. Ela tende a acreditar que não merece o amor de sua mãe, por isso sua progenitora a maltrata. Passei toda a minha infância acreditando nisso. Tive uma dificuldade enorme para aprender a me amar, a me olhar no espelho e não ver a “preta imunda” olhando de volta. Mas, se for honesta, devo admitir que evito os espelhos e os julgamentos sobre minha aparência. Acho mais fácil encontrar beleza nos outros do que em mim mesma.

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