A vida que não era minha

Conto

Livro ler capítulo

Estatísticas:


53

Ir para outro capítulo:

Publicidade

Capítulo

Tamanho da fonte:

Largura do texto:

Mudar cor do fundo para:

Escuro Claro

Tela cheia:


A vida que não era minha
Capítulo 1

Eu e minha irmã Sarah morávamos com nossos tios há cerca de 2 anos. Os nossos pais foram morar em outro estado por solicitação do trabalho, mas eu e minha irmã não queríamos sair de lá, pois já tínhamos nossos amigos, escola e gostávamos muito dali. Na época eu tinha 15 anos e minha irmã 17. Como a nossa tia, irmã da nossa mãe, não tinha filhos e morava junto com seu marido, que claro se tornou meu tio, em uma casa que tinha um quarto vago, a nossa mãe perguntou se ela poderia nos abrigar. Para nossa felicidade ela aceitou e então ficamos morando lá até hoje. Sempre gostávamos muito de sair com eles. Eles eram aquele tipo de tios jovens, na verdade eles eram realmente jovens, minha tia tinha 34 e meu tio 36. A nossa vida não teve uma mudança muito brusca, foi praticamente a mudança de casa, que era mudança de bairro também, mas eu preferia mil vezes mudar de bairro a mudar de estado.

Certa noite nós tínhamos uma festa para ir. Era uma sexta feira de noite e a festa a de uns amigos dos meus tios. Quando chegamos percebi uma casa muito bonita. Não era coisa de rico, mas era um café muito bonito por sinal. Na festa nós aproveitamos bastante, e tinham muitas pessoas que não conhecíamos já que o local estava aberto para qualquer um. Ficamos um tempo dançando e conversando. Quando a minha irmã cansou de dançar eu fiquei um tempo a mais na pista e depois fui ao encontro dela, foi então que, ao não prestar atenção, eu esbarrei em uma mulher. Foi tudo bem rápido. Me desculpei imediatamente e a mulher ficou um pouco confusa, disse para eu não me preocupar e foi logo embora, provavelmente ao banheiro. Foi tudo em fração de segundos e a luz do local estava um pouco baixa e não prestei tanta atenção assim em seu rosto. Segui meu caminho e encontrei minha irmã. Aproveitamos bastante a festa e então voltamos para casa.

No dia seguinte todos acordamos tarde, afinal, era um sábado. Nosso dia foi normal como qualquer outro. Todo sábado de noite nossos tios iam ao centro espírita que eles costumavam frequentar e, por nossa vontade, íamos junto. Não fazíamos muitas coisas lá, apenas ajudávamos no que pedissem e ficávamos no nosso cantinho conversando, eu e minha irmã. Eu me sentia bem lá. Nós voltávamos sempre tarde mas a tempo de pegar ônibus, sendo que naquele dia nossos tios precisaram ficar mais tempo e ficamos esperando. No final, decidimos pegar um táxi pelo aplicativo já que era muito tarde e não haviam mais ônibus circulando. Fomos os quatro para a entrada do Centro, peguei meu celular e fui tentando chamar o táxi. Esperamos até conseguir chamar um, primeiro porque meu celular era muito lento e segundo porque estávamos esperando diminuir a sobretaxa que encarecia a corrida. O primeiro carro ficou muito tempo parado no mesmo lugar, conseguíamos ver isso pelo GPS que os carros do aplicativo possuíam. Cancelamos a solicitação para tentar chamar outro. Meu celular já estava querendo descarregar porque ele não segurava muito tempo de carga. Conseguimos chamar e então resolvemos ir até lá fora para esperar. Passou um tempo e ele mesmo cancelou a corrida. Nós já estávamos chateados com aquilo. Estávamos mais uma vez esperando baixar a sobretaxa quando chegou uma mulher perto de nós. Ela era um pouco alta, tinha cabelos pretos alisados com chapinha - pelo menos foi a impressão que eu tive -, estava vestida com roupas bem bonitas, blusa preta e branca que cabia muito bem no corpo dela, calça social preta um pouco justa e um salto alto. Ao mesmo tempo em que ela parecia uma mulher simples, podia ver que ela era bem “chique”, devia ter algum dinheiro. Ela tinha um rosto lindo, mas com uma expressão um pouco diferente. Parecia amigável. Iam pessoas de todos os tipos e classes sociais àquele lugar. Olhando ela se aproximar, pude notar que aquele rosto não me era estranho. Mas eu não podia recordar de onde havia visto aquela mulher. Ela chegou perto de nós e perguntou se estávamos esperando um táxi e afirmamos que sim, mas que estávamos esperando baixar a sobretaixa para chamar. Eu estava olhando para ela quando ela reparou que eu e minha irmã estávamos ali, e pude sentir algo estranho na sua expressão quando me viu. Talvez coisa da minha cabeça, mas segui normal. Ela começou a conversar conosco sobre o aplicativo e coisas que já aconteceram com ela relacionadas a ele. Eu e minha irmã estávamos sentadas na calçada de uma casa que ficava no estacionamento, que era enorme e estava cheio de carros, e meus pais estavam em pé, junto aquela mulher. Depois de conversar algumas coisas e ver que ia demorar um pouco até conseguir chamar um táxi e ele chegar até o local, a mulher resolveu sentar do outro lado da calçada, até cumprimentou uma senhora que estava com rosto colado na grade para ver o movimento e que provavelmente frequentava aquele local. A conversa sobre o aplicativo retornou e todos ficamos comentando.

Depois de um tempo, nós e aquela mulher, conseguimos solicitar o táxi. Conforme o tempo passava eu sentia que a mulher estava um pouco mais nervosa, um tanto impaciente e só depois de um tempo percebi que ela estava fixando o olhar em mim mais do que o normal. Só percebi depois porque apenas as vezes eu olhava para ela. Não fazia sentido eu olhar o tempo todo. Mas quando eu percebia ela logo desviava o olhar. Só pensei que aquilo era estranho. Nós levantamos e fomos para um pouco mais perto da rua para esperar o carro, já que ele poderia errar o local que estávamos. Lá, faltavam cerca de 15 minutos para ambos os carros chegarem. Decidi que antes que chegasse eu ia ao banheiro. Perguntei baixinho se minha irmã queria ir comigo, mas ela não poderia porque nós tínhamos solicitado o carro com o celular dela já que o meu acabou descarregando. Então ela ia ficar lá observando por onde andava o carro. Falei a todos que ia ao banheiro e fui dando passos largos para ir e voltar o mais rápido possível. A mulher, depois que eu estava perto do portão de entrada, disse para meus tios e irmã que tinha esquecido alguma coisa lá dentro e que ia buscar. Ela foi correndo lá, ou melhor, andando em passos muito largos. Eu não vi quando ela estava voltando, era como se fosse em minha direção e eu poderia ter reparado se tivesso olhado para trás. Segui meu caminho normal até o banheiro. Já não tinha tanta gente lá no Centro, já que estava tudo acabando, e então o banheiro estava vazio. Cheguei lá e não tinha ninguém mesmo.

O banheiro ficava num lugar um pouco escondido, era um pouco grande, daqueles onde tinha uma única pia, mas uns 5 boxes para usar o banheiro. Só tinha uma única entrada, mas tinha uma porta trancada que eu não podia imaginar o que tinha lá dentro ou onde que ela daria. Entrei em um dos boxes e tranquei a porta. Segundos depois ouvi alguns passos de gente entrando. Não me importava, na verdade achava até bom que não estava sozinha ali. Não ouvi outra porta se fechar, mas ouvi barulho de algo caindo no chão e parecia que tinha sido imediatamente apanhado. Não liguei para isso. Eu acabei demorando um pouco no banheiro porque estava de cinto. Depois daquele barulho eu não ouvi mais nada. Quando sai do box e fui lavar as mãos, senti alguém vindo atrás de mim muito rápido e não tive tempo de me virar. Senti alguém me prendendo com os braços e colocando um pano úmido na minha boca.

...

...

...

É preciso estar logado para visualizar o restante do capítulo.

Este conteúdo é protegido pela Lei nº 9.610/98 – a Lei de Direitos Autorais.
Assinar ou apresentar como seu é crime pois viola os direitos de autor.

O acesso a este conteúdo é registrado de acordo com as políticas de uso.

Capítulo comentários

É preciso estar logado para poder comentar. clique aqui para entrar ou fazer o cadastro

Comentários

Carregar Mais

Livro compartilhar

Olá, você pode compartilhar ou convidar seus amigos, para ler esse livro através do Facebook, Twitter ou Email.