Capítulo

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CAINDO NAS GRAÇAS DO OUIJA.

Não. Não vou começar essas confissões com “eu comecei a matar desde meus...”, porque pelo que vejo, a morte é uma presença viva em minha vida. E porque digo isso? Bom... Desde minha adolescência que venho matando pessoas, sempre assassinando os mais velhos e esquartejando os mais novos. Por isso vou tratar esses depoimentos como almas errantes, daquelas que aparecem nas fotos depois de reveladas, que mesmo com seus corpos já não estando no mundo físico, ainda continuam sem aceitar que passaram para outro plano. Porque isso? Por causa de duas coisas: eu não sou mais nenhum jovem psicopata cheio de vigor em minhas mãos e mesmo tanto tempo sem contar a ninguém sobre a minha vida, sinto que já somos bem íntimos.

A última pessoa que eu por raiva matei, foi quando eu terminei meu noivado, aos vinte e três anos, através um pacto satânico, para melhorar de vida. De lá para cá, prometi a mim mesmo que nunca escreveria sobre minha doce vida psicótica em lugar algum. E hoje olha só onde eu me encontro: quebrando minha promessa e escrevendo sobre meus crimes, prometendo mais uma vez que essa será minha última vítima e quebrando minhas promessas, matando, matando e matando.

Você teve dois irmãos mais velhos, que eu abortei, rasgando algumas páginas, queimando outras e atirando o resto ao lixo. O primeiro, que foi dos catorze aos dezessete, e o segundo, dos dezenove aos vinte e três. Por isso sinta-se honrado por não apenas ser mais um diário de H. Kane Lecter mas sim, as confissões psicóticas de H. Kane Lecter. E porque confissões? Pelo simples fato de que meu terapeuta recomendou que eu passasse meus dias até a minha execução, escrevendo sobre a difícil arte de matar.

Não sei porque causa, motivo, razão ou circunstância, eu solicitei aos carcereiros que me vigiam, que me arrumassem mais um caderno, afim de ressuscitá-lo novamente. Mas prometo sim, que esse vai ser o último. Algo dentro de mim já vem me avisando disso. Não sei se foi a vontade de registrar meus momentos, de descrever como matei cada uma de minhas vítimas ou simplesmente querer que o mundo saiba quem sou. Mas escrever para mim é viciante, tanto quanto sair por aí e me atrever a saber qual o cheiro do sangue das pessoas.

Por isso quero deixar claro para você que vai começar a ler essas páginas, que assim que terminar, queime esse livro, pois pretendo fazer um ritual antes de me matarem, para transferir minha alma para dentro dele, para que eu seja eternizado e não pare com meu hobby, que é o de perseguir e matar pessoas que merecem não estar entre nós. Pois se um dia o meu glorioso, inestimável e irremediável fim, me alcançar daqui a dez anos, na cadeira elétrica, quero transferir minha alma para este livro, consciente de que irei perseguir e matar ainda mais.

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