Terror
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Capítulo

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Segura

Enquanto eu ando pela rua, me lembro de tudo o que tinha ouvido nos jornais sobre os últimos casos de assassinato. Segundo as notícias, havia um novo assassino em série à solta. Eu sei que a polícia aconselha que as mulheres não andem sozinhas à noite e muito menos a pé, como eu estou agora. São apenas três ruas de distância da casa de minha irmã até a minha, não achei que eu fosse ter maiores problemas. Meu cunhado, a pedido da minha irmã, até insistiu que me levaria de carro, mas eu os convenci de que não precisava. Eu estava na minha cidade, afinal, e não deixaria um louco tirar a minha liberdade de ir e vir.

As ruas estão desertas, o que não é surpreendente, considerando o aviso quase aterrorizador do delegado na mídia. Na televisão se dizia que o local preferido de ataque desse assassino era a rua, mas algo me dizia que isso estava errado. Mas de qualquer forma a população preferia não se arriscar. Logo, minhas únicas companhias eram alguns gatos e cachorros de rua, esses não pareciam perturbados pelas loucuras e ameaças no mundo humano. Talvez porque não entendam, ou talvez simplesmente não se importem.

Ao chegar na primeira esquina depois da casa de onde saí, notei que o bar que havia ali estava fechando mais cedo, já que nenhum cliente tinha aparecido, o que era absolutamente incomum num sábado à noite. Vi um homem que pareceu ser o dono guardando as mesas. Ele me viu também e em seu olhar, pude perceber que ele achava que eu era louca por estar andando sozinha nas atuais circunstâncias. Pensei no quanto o dono daquele bar deveria querer que essa onda de terror acabasse logo. Não era bom para os negócios dele e de muitos outros.

Continuei andando. Nada de diferente no caminho. Achei que estaria mais aterrorizada com as ruas, achei que elas pareceriam saídas de um filme de terror aos meus olhos. Mas elas continuavam as mesmas de sempre. Eu deveria sentir medo, eu sou exatamente como aquele delegado descreveu as vítimas: alta, magra, loira e, sem querer soar convencida, parecida com modelos que se vêem em anúncios e passarelas. No entanto, eu não sinto nada. Tento pensar que o tal assassino podia estar atrás de mim neste exato momento. Até me forço a imaginar o homem que havia sido descrito (sim, a polícia estava certa de que era um homem): Alto, um pouco forte, esquisito e com um aparente medo de mulheres, mas extremamente violento. Mesmo assim, não sinto nada.

Admito que eu sinto como se as três ruas de distância tivessem se tornado enormes. Não por causa do medo ou algo assim, mas pelo cansaço. Estava tarde e eu precisava de uma boa noite de sono. Havia dias que eu não conseguia dormir, algo me incomodava e me mantinha acordada madrugadas a dentro. "Tente começar a fazer yoga." Essa era a solução que minha irmã tinha me sugerido quando comentei o problema com ela. Decido que vou tentar. Se está ajudando minha irmã com a gravidez, por que não me ajudaria com minha insônia? Talvez meu problema fosse um desequilíbrio entre corpo e mente.

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