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OS MERGULHADORES DE CHÃOS MOLHADOS

Reconheçam vocês que estão lendo isso: eu, você, todos nós estamos ferrados! A maioria não sabe mais onde chegaram, como vieram parar aqui ou para onde irão agora. Perguntas como “Onde estamos?”, “como chegamos?”, “por onde sair daqui?” nada valem. São questões simples demais e a maioria das pessoas se aperfeiçoou em complicar tudo com seus grupinhos ideológicos, porque só as coisas menos complexas passaram a valer alguma coisa na lama onde a maioria se atola e leva a minoria junto. Viver, para a maioria dos seres humanos se resume a modinhas, propagandas, rótulos, redes sociais, likes e selfies. Aqui, de tanto defender, complicar e perpetuar questões fundamentais, não se questiona mais nada que mergulhe para além da profundidade de um chão molhado.

As pessoas desaprenderam a fazer perguntas e pensar sobre elas. A única disciplina escolar que ensina a pensar e refletir sobre a existência, e os porquês das coisas serem dessa forma, a Filosofia, está em desuso. E muita gente ainda acha que a Filosofia não é importante (se não fosse importante, a ditadura militar não a proibia nas escolas). A maioria hoje em dia, prefere adotar respostas prontas para tudo, soluções por encomenda, aquilo que o grupinho, o do contra, o político, o padre ou o pastor falou, ou seja: conclusões fáceis oriundas e importadas de juízos alheios. O resultado disso são grupinhos que se odeiam o tempo todo.

Como motoristas desorientados e teimosos, a maioria das pessoas perdeu os mapas, as bússolas, os sinalizadores e outros recursos que servem para nos orientar. Ainda assim diante da minoria, para não d

E assim, por não saberem o que fazer; não saberem para onde ir ou por onde voltar, para não admitirem que se perderam, a maioria decidiu atacar uns aos outros. Como cães de guarda enfurecidos, sobrevivendo num sítio abandonado, presos em um canil fechado, castigados por pequenas espetadas e banhos de vinagre gelado a cada meia hora, aprenderam que a única defesa possível é passar o sofrimento adiante. Eles jogam a batata quente ao próximo, sem aceitar que o próximo não é responsável por eles estarem ali naquela condição. E dane-se quem estiver perto. Que também padeça nossa dor, nossa angústia, nosso desespero. Digo nossa porque infelizmente a minoria também vive massacrada pela maioria, mesmo que alguns da minoria sejam exceção.

Estamos numa guerra, atirando uns contra os outros, “bandidos” versus “mocinhos”, “pobres” enfrentando “ricos”, “direita” contra “esquerda”, “conservadores” e “progressistas”, “estourados” e “pacientes”, “flexíveis” e “intolerantes, “generosos” e “mesquinhos”, “gayzistas” contra “homossexuais”, “protestantes” enfrentando “católicos”, “ateus” contra “fanáticos religiosos”, “eles” contra “nós”. Estamos todos engalfinhados num inútil, eterno e retrasado bate-boca que até dez, quinze anos atrás, não existia. Dizer que pessoas como eu são “egoístas” ou simplesmente, egocêntricas é só mais uma mentira f&aac

É assim que nós, pobres mortais, estamos: perdidos. Por causa da maioria, perdemos a hora, o caminho, a noção do ridículo, a vergonha na cara e o pudor de nos odiarmos sem assumir, usamos máscaras de sorrisos, mas por baixo estamos a odiar. A “sorte”, se é que ainda existe sorte por aqui, é que restam aqueles que sofrem de esperança. São os que caem, levantam e vão em frente, e partem em busca, mesmo sofrendo com a maioria invejosa e acomodada que descarregam sobre essa minoria suas negatividades. E mesmo assim, essa gente faz milagre.

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