Suspense-Mistério
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Capítulo

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Capitulo dedicado à: “Estava apenas querendo a vida com sangue. Nem que fosse o anêmico sangue dos infelizes.” Antônio Carlos Viana (1944).


DESCONSTRUÇÃO.

Mantinha sempre sua rotina, como uma máquina ardil: Todos os dias, beijava mulher e filhos como se aquela despedida fosse a última, pegava a marmita de feijão com arroz, que a mesma preparava com muito amor e com seu passo tímido, ia para a labuta. Trabalhava numa “obra faraônica”, como ele mesmo dizia com suas limitações escolares, que era o mais novo prédio shopping da capital sergipana. Um monumento arquitetônico de catorze andares, projetado por dois dos melhores engenheiros da capital: o Dr. Francisco e o Dr. Buarque, ambos formados em engenharia na Holanda. O projeto é de que ele tenha cinco lojas por andar, cada uma com oitenta e dois metros quadrados. Ele estava sendo erguido bem, no centro da cidade, com vista para toda a capital e quiçá alguns municípios vizinhos.

Enquanto trabalhava igual a uma máquina, erguendo tijolo por tijolo, de duas a quatro paredes mágicas e bem sólidas, passava o dia inteiro falando, nas horas em que descansava sabaticamente com uma mistura de cimento e lágrimas no rosto, do amor que sentia pela mulher, pelos filhos e pela sorte, que tinha por ter uma família tão adorável, simples e feliz. Os amigos o invejavam e às vezes nem acreditavam que ele vivesse nesse conto de fadas tão surreal.

Só que ele tinha um efeito extremamente horrível: não sabia escolher suas amizades. E quando chegava a sexta-feira, por influência dos “amigos” de serviço, saía da obra e, por amor à orgia, fazia uma turnê pelos bares e cabarés das zonas periféricas da cidade. Bebidas, mulheres fáceis e música barata faziam-no esquecer dos elogios que fazia à família enquanto estava na obra. Começava bebendo aos poucos, economizando a bebida na garrafa igual a um náufrago, e depois caía na gandaia como se fosse uma máquina.

Quando chegava a casa, no sábado de madrugada ou já pela parte da manhã, a esposa que tanta dedicação lhe oferecia, começava a lhe dar um grande sermão. Só que ele, transformado pela bebida, surrava-lhe para mostrar quem é que era o dono da razão. Parava apenas quando ela estava conformada de que ele é quem mandava e desmandava em casa. 

Os filhos, quando ouviam a mãe apanhando e aos prantos, acudiam-na eambém eram espancados. Enquanto todos choravam, dançava e gargalhava em direção ao quarto ironicamente, como se ouvisse música. Ele então ia dormir e no domingo, quando acordava sóbrio, pedia perdão para a mulher e para os filhos, dizendo sempre que aquilo nunca mais ia se repetir.

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