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Declaração de Amor - Parte 1 de 5

Dálton era o segundo filho de Ulisses, engenheiro eletrônico, e Vilma Helena, médica veterinária, e irmão de Claudionor.

Claudionor, o primogênito, era tímido; com Dálton formava contraste, que de ninguém passava despercebido. Dálton era enérgico, agitado, agressivo. Ulisses e Vilma Helena diziam, sorrindo, que ele era uma fera selvagem, e que o domariam; se não o domassem, ele se converteria num ditador. Dálton foi um garoto espevitado. Os avós o alcunharam Espalha-brasa. Algumas pessoas diziam que ele era um diabinho; outras, que ele era um anjinho. Ele se intrometia nas conversas dos adultos, sendo, com freqüência constrangedora, inconveniente. Claudionor, pacato, susceptível às boas lições, embora contestasse a autoridade materna e a paterna, punha em prática as lições que seus pais lhe ministravam, nem sempre da maneira adequada. Aos dezoito anos, ingressou na faculdade de física. Alguns familiares e amigos íntimos da família a

Dálton travava brigas homéricas com os seus desafetos e os seus rivais por motivos os mais banais. O olhar enviesado, o de indiferença, e um comentário sarcástico, sem ser depreciativo, produziam-lhe reação violenta inexplicável. As abruptas oscilações do seu humor alteravam-lhe, consideravelmente, o comportamento, e os amigos e os familiares, perplexos, preocupavam-se com o bem-estar físico e mental dele; alguns dentre eles preconizavam-lhe contratempos incontornáveis decorrentes dos seus repentinos acessos de cólera. A sua conduta, instável e violenta, exacerbava-se com o transcurso dos anos, revelando-se ele mais irritadiço e mais suscetível a qualquer ninharia, sempre que contrariado. E Ulisses e Vilma Helena afligiam-se; e Claudionor criou-lhe desafeição ao romper o estreito vínculo fraternal que havia, entre eles, dur

Dálton, enfim, chegou à maioridade.

Na festa de aniversário de Luciana, irmã de Cláudio, seu amigo, e na companhia deste, passou por Marta, e olhou por sobre o ombro direito; e seus olhos encontraram os dela. Encantou-o aquela figura miúda, sorridente, de cabelos compridos, pretos; e ela encantou-se com aquele homem de porte avantajado, másculo, de queixo quadrado e sobrancelhas espessas caídas sobre os olhos – olhos de homem misterioso, disse ela às amigas. Minutos depois, por insistência de Dálton, Cláudio apresentou-o para Marta e Marta para ele, e afastou-se deles, deixando-os à vontade. No início um pouco acanhados e um tanto atrevidos, Dálton e Marta sorriram, entreolharam-se, e entabularam conversa; no desejo de evitarem deslizes, calculavam as palavras. Dálton preocupava-se com o timbre de sua voz e com a sua postura; Marta perguntava-se se não se exibia com vulgaridade. No

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