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A PREGUIÇOSA

Moradora desde que nasceu em um bairro de classe média de Baton Rouge, Louise amava o ócio e a preguiça, mais do que amava o trabalho e o dinheiro. Para que evoluir na vida se tinha tudo dentro de casa: dormia a hora que queria e acordava quando queria, sem mover um músculo e sem derramar uma gota de suor? Todos os seus parentes e odiavam por ele ter chegado aos quase quarenta sem ter um trabalho fixo e ainda ouvirem a mãe falar que ele irá receber uma bela pensão mensal quando a mesma falecer. E o odiavam ainda mais por ele ser tão preguiçoso.

Preguiçosamente também, Louise se tornou anarquista: nunca tirou carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho e nunca serviu às forças armadas, não existia dentro do país e fazia por onde ser uma lenda no bairro onde morava, pois quase ninguém a via sair de casa.

Um dia, por ordem expressa do governo, que era inicialmente democrático, mas logo mostrou a foice, o martelo e suas ideias vermelhas, todos os cidadãos com mais de trinta anos foram obrigados a irem receber o presidente do país no aeroporto. Todo mundo da sua família estava lá, menos Louisa. Ela achou mais cômodo assistir pela televisão.

A chegada do presidente fora transmitida ao vivo por quase todas as emissoras. Assim que ele desceu da escada do avião e tocou os pés no solo, um poderoso grupo terrorista se manifestou, e empunhando armas de vários calibres, matou a todos sem exceção. Todos menos ela, que assistia o massacre dos seus pela televisão. Só Louise, aquela que morria de amores pela preguiça, se salvara.

Louise por preguiça, não foi ao enterro dos parentes e ficou feliz porque com sua mãe falecida, iria receber uma gorda pensão. Ele dormiu preguiçosamente e acordou dois dias depois, com fome. Olhou para os cômodos vazios e chorou, como um bebê recém-nascido, tamanho o desespero.

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