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“Eu tenho uma aparente liberdade, mas estou presa dentro de mim”. Clarice Lispector

 

Benedict estava em seu escritório em plena sexta-feira parisiense, sem ter o que fazer, pois nem sua secretária tinha ido trabalhar. Ele era gerente-executivo de uma famosa marca de artigos esportivos francesa. O dia inteiro estava se passando às moscas: nenhuma alma viva apareceu para contar história. Também nenhuma funcionária carente cruzava aquelas portas para ao menos deleitá-lo, naquele início de fim-de-semana, porque além de bem-sucedido, era extremamente bonito e másculo. Seu corpo, mesmo de terno já denunciava o deus-grego que ele é por baixo daquele monte de panos em que seus anos de estudo e dedicação o tinham colocado. Moreno de pele clara e cabelos negros, olhos verdes, solteiro e bon-vivant. As parisienses caíam a seus pés o tempo todo. Mas naquele dia seus bons ventos pareciam ter mudado de direção.

Foi quando resolveu abrir o computador e tentar a sorte de pescar uma mulher para uma aventura no fim-de-semana em algum motel parisiense. Entrou na internet, mas nada. Estava mesmo sem sorte até para isso e o pior: estava há quase dois meses sem sexo por causa da fama que havia ganhado no escritório, ao ter se relacionado com a esposa de um de seus clientes, que não resistiu à beleza estonteante daquele pedaço de mau-caminho de trinta e cinco anos. "Até uma jovem senhora de cinqüenta anos que estiver dando sopa e cair na rede é peixe" falava sozinho. Mas nada. Sua sorte não era lá das melhores.

Foi quando um nickname puxou conversa com ele. Ela atendia por "Bonequinha Discreta". "Bom... Pelo menos um boquete eu posso arrumar nessa sexta, para começar meu fim-de-semana mais confiante", pensou ele, já despertando seus instintos mais depravados. Ele puxou conversa e eles foram se conhecendo. Ela se chamava Elise, tinha 23 anos, e se descrevia como uma jovem transexual de cabelos longos, estatura média, branca, corpo depilado e boca macia. Conversa vai, conversa vem, Benedict já excitado com aquilo tudo, perguntou se Elise tinha local para recebê-lo. Para a surpresa dele, a jovem disse que morava sozinha, em um belo apartamento que ficava no mesmo prédio que Benedict morava, o Loft, com a diferença de serem em andares diferentes: Elise no segundo e ele no oitavo andar.

Sua cabeça ficou um pouco perturbada, pois mesmo sendo bem-sucedido, morava com os pais e os irmãos no condomínio. "Eu quero essa aventura, mas... E se as pessoas descobrirem?" pensava ele já imaginando a fama ruim que poderia ter com os amigos e as mulheres. Porém a vontade de uma boa sacanagem falava mais alto do que qualquer noção sobre o que era certo ou errado naquele momento. Ele então marcou para se encontrar com ela umas onze horas da noite. Sairia pra algum lugar, para disfarçar e voltaria para o Loft no horário combinado com Elise. Passaria no apartamento dela antes de subir para o seu, curtiria o momento e iria para casa, feliz da vida.

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