Capítulo

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UM NOME REPUGNANTE.

Paul entra voando pelo portão, dá oi para Helen, sua mãe, que está na cozinha, a abraça por trás, beija-lhe o pescoço e vai para o seu quarto, tirar a roupa e tomar um banho. O jovem estava bastante apressado para chegar a sua casa, pois era o único dia em que sua mãe folgava do hospital universitário em que trabalhava, e ambos conseguiam jantar juntos. Ele não é de ficar muito tempo dentro do banheiro, pois já havia servido ao exército e aprendeu a ser ágil com seu asseio pessoal.

Com tudo pronto, banho tomado, roupa trocada e cabelo penteado, ele senta-se à mesa e começa a jantar com sua mãe, uma funcionária pública de mérito, que fora aprovada num dos concursos mais difíceis de sua época. A janta hoje é panquecas feitas no micro-ondas, café coado e carne assada no grill.
- O que fez hoje de tarde, Paulzinho?
- Nada demais. Participei de uma tarde literária na casa de uma colega da Universidade: li um conto e ficamos debatendo sobre as possíveis interpretações do mesmo. E para de me chamar de Paulzinho, mãe. Eu já tenho vinte e cinco anos.
- Deixe de ser besta, seu moleque atrevido! Sou sua mãe e te chamo do jeito que eu quiser, até a idade que eu quiser. Essa sua colega também é do curso de psicologia, PAUL-ZI-NHO?

Rindo das palhaçadas de sua mãe Helen, Paul dá uma garfada numa panqueca e termina de comer sua janta antes da mãe. Ele então se levanta da mesa, coloca o prato na pia e vai para a sala, ver TV. A mãe dele termina a janta dela, junta a louça, as panelas e começa a lavar. Quando termina, ela vai para a sala onde Paul está, se senta no sofá ao lado dele e pergunta:
- Essa menina que você passou a tarde é alguém especial? É alguma nora que eu ainda vou conhecer?
- Que nada. Mas se quer saber se ela tem alguma coisa de especial, ela é filha do mega empresário do ramo de móveis e eletrodomésticos, Gordon Novel. A senhora conhe...

Como que por impulso, Helen interrompe a frase de Paul com um tabefe forte em seu rosto. Paul nunca havia recebido um tabefe da mãe em toda a vida, muito menos um com força o suficiente para deixar os dedos marcados em seu rosto. E sem reação, a mãe apenas olhava fixo para os olhos dele, como um animal enfurecido. Ele ainda não tinha concluído o curso de Psicologia da universidade, mas sabia que pela força daquela agressão, sua mãe conhecia o pai de Berenice e só o fato dela ouvir o nome dele era o suficiente para irritá-la profundamente. A mãe de Paul aponta o dedo pra ele e fala com uma rispidez profunda nas palavras:
- Nunca mais ouse repetir esse nome aqui dentro dessa casa, enquanto eu for viva, está me entendendo! NUNCA!

Sem esboçar qualquer reação, Paul volta a assistir a TV junto com sua mãe em silêncio. Esse silêncio, com o passar dos minutos se tornava ainda mais fúnebre e cadavérico, durando todo o tempo em que a novela que estavam assistindo chegasse ao fim. E quando terminou, Helen desligou a televisão, virou-se para ele, ficou com um olhar distante, como se estivesse trazendo algo do passado para dentro daquela sala.
- Está na hora de você saber a verdade, meu filho.
- Verdade? Que verdade?
- A verdade sobre sua adoção.

...

...

...

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