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Brasil, paraíso machista. Um conto politicamente correto.

Dou a público, hoje, uma história horripilante, comum hoje em dia, mas oculta do povo indiferente.
Após esperar vinte minutos, durante a chuva torrencial que despencou nesta cidade a partir das 18,00 horas, no ponto de parada de ônibus, Jaqueline, vendo um ônibus aproximar-se, acenou; o ônibus parou, para que ela nele subisse. No ônibus, então lotado, ela, em pé, se espremeu entre os passageiros; não havia o ônibus percorrido quinhentos metros, abordou-a um homem esbelto, de um metro e setenta de altura, de barba rapada, calvo nas têmporas, trajando calça jeans, camisa azul e sapatos pretos. Ele, assim que se levantou do banco, ofereceu-o à Jaqueline, para que ela nele se sentasse. Ela, de imediato, rejeitou a oferta, e, diante da insistência dele, solicitou ao motorista que, ou mandasse o homem que lhe oferecera a ela Jaqueline o banco para nele ela se sentar retirar-se do ônibus, ou desviasse do trajeto original e rumasse à delegacia de polícia.

Não tardou cinco minutos, quando uma viatura policial chegou ao local, trazendo dois policiais, um homem e uma mulher, que trataram de tranquilizar todos os envolvidos no imbróglio, sucesso que só obtiveram a duras penas. De todas as personagens envolvidas, Jaqueline era a mais agitada, e justificadamente, afinal ela fora a ofendida; ela transparecia, em gestos ostensivos, em expressões fortes, as suas indignação e raiva compreensíveis; intempestiva, esbravejou, esgoelou-se, e firme, convencida da razão de seus propósitos, incansável, declarou-se, corretamente, desrespeitada e, corajosamente, disposta a ir aos tribunais denunciar todas as pessoas que a conspurcaram ao lhe arremessarem epítetos insultuosos.
"Aquele machista... - disse Jaqueline, indignada, referindo-se ao homem, que, levantando-se do banco, oferecera-lhe o lugar que deixara vago - aquele machista... Quem ele pensa que eu sou!? Quem ele pensa que ele é!? Que direito ele tem de me oferecer um lugar para eu me sentar!? Quem ele pensa que ele é!? Que desrespeito! Aquele machista... Eu não preciso que homem nenhum me ofereça um banco para eu me sentar. Só porque eu sou mulher, aquele machista me tem como um pessoa inferior, fraca, incapaz! Que absurdo! Vivemos em uma sociedade machista, patriarcal, preconceituosa. Os homens se acham superiores às mulheres". Tais palavras são de uma mulher poderosa, de brios, que sabe qual é o seu lugar na sociedade. De uma mulher insubmissa, altiva.
Era visível o desarranjo emocional de Jaqueline,  compreensível e justificável diante de tal violência que lhe promoveram, produzido pela ação desrespeitosa do homem que lhe oferecera o lugar no banco. E assim que lhe amainou o espírito, Jaqueline prosseguiu: "E o motorista, outro machista, em vez de atender-me, destratou-me. Fez de conta que o assunto não lhe dizia respeito, e seguiu viagem. Aquele machista! Todos os passageiros do ônibus são machistas, inclusive as mulheres, que, ao invés de irem em meu favor, ofenderam-me. Aquelas bruacas! Aquelas megeras! Todas servis à cultura patriarcal, machista".

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