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Capítulo

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Obsessão

07 de janeiro de 2…. Uma linda moça, a morena cuja formosura encantou-me. 

Sua pele é de um tom claro que brilha à luz do sol. Seus lábios vermelhos, realçados pelo batom, e seu nariz, seus olhos, seu queixo, suas sobrancelhas e suas maçãs do rosto compõem um conjunto perfeito. Se Fídias a admirasse, esculpiria a mais bela de todas as estátuas. Infelizmente, nem ele, nem Michelângelo, a conheceram. Vênus Calipígia! Seus cabelos pretos brilham ao sol, deslizam-lhe pelas costas, espraiam-se-lhe pelos ombros. Seu busto, esplendoroso! Suas pernas, sublimes! Seu andar, suave. Ela caminhava sobre as nuvens. Trajava um longo vestido vermelho decotado, que lhe modelava o corpo bem feito. Dela não tirei os olhos até ela entrar em um carro de vidros escuros. Fugiram-me as palavras. Encantado com tão linda moça…

08 de janeiro. Pensando na linda moça que ontem me encantou, dormi. Sonhei com ela. No sonho, ela, vergando vestes diáfanas, passeava por um jardim edênico. Seu corpo esplendoroso brilhava, cegando-me, sempre que dela eu me aproximava. Na mesma hora em que, ontem, passei pela rua *, passei hoje. O meu propósito: cruzar o caminho da linda moça de vestido vermelho. Andei vagarosamente. Olhei, atentamente, de um lado para o outro, na esperança de vislumbrar a Vênus rediviva. Não a encontrei, para meu desgosto. Mas a encontrarei, se não hoje, amanhã, ou depois. Aquela moça celestial cuja beleza esplêndida transfigurou-se, aos meus olhos, num espectro divino… Olhei de um lado para o outro. Não encontrei a linda moça. Contrariado, exausto, regressei à minha casa, três horas depois. Ao me olhar ao espelho, deparei-me com um rosto irreconhecí

09 de janeiro. Não consigo tirar de minha cabeça a imagem da linda moça de vestido vermelho. Pelo meu corpo correu indescritível sensação de prazer, à noite. Raras vezes senti tão prazerosa sensação! Na cama, virei-me de um lado para o outro. Acordado, imaginei fantasias lúbricas, concebi sensacionais aventuras amorosas com a linda moça cujo nome desconheço e cuja beleza fascinou-me.

15 de janeiro. Ao acordar, hoje de manhã, banhei-me, e fui à cozinha. Na prateleira, não havia pães; na geladeira, não havia leite. Peguei da carteira, a abri, vi que nela havia dinheiro, e fui ao supermercado. Não eram dez horas quando lá cheguei. Fazia muito calor. Para a minha felicidade, não havia muitas pessoas no supermercado. Ao passar por entre as estantes do setor com produtos de limpeza, vi, de relance, para minha surpresa e alegria, a linda moça, que, com uma cestinha pendurada à junta do cotovelo, olhava para os frascos de detergente. Meu coração vibrou, acelerado. Arregalei os olhos. Mordi o lábio inferior. Lambi o lábio superior. Fitei a linda moça. Estudei-lhe o porte. Embevecido, alumbrado, admirei-a, fascinado com tão deslumbrante beleza. Andei por aquele corredor, na direção da moça que há dias eu p

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