New Adult
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Capítulo

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A PURITANA

Era uma quinta-feira agitada para Lídia: véspera de quatro de julho, atrasada para o trabalho e chovendo. O que ela não esperava, era reencontrar dentro do metrô enquanto ia para o trabalho, uma amiga de muitos anos chamada Madeleine. Cumprimentaram-se e começaram a conversar sobre a infância, a adolescência e a época em que trabalharam uma perto da outra, onde ela sempre passava E na casa dela, para irem juntas para a labuta.

Lídia a olha com certa pena, porque ela tem uma história muito reprimida, onde até hoje esconde com unhas e dentes sua verdadeira orientação sexual. Ela sabe disso porque conhece a mulher por quem os sentimentos de Madeleine explodem: uma mulher casada de mais de quarenta anos, que a faz de gato e sapato, mas nem sempre foi assim.

Quando ainda eram apenas crianças, Lídia e Madeleine brincavam no parque junto com os meninos e meninas que eram vizinhos delas. Madeleine tinha uma mania engraçada de olhar para os homens que passavam por ela, e ficava apontando defeitos e qualidades, fossem eles físicos ou não. Todos da família sorriam e achavam muito engraçado esse jeito dela, pois afinal ela era uma criança.

Mas passou-se o tempo e chegou à adolescência: época das mudanças físicas, das amizades de escola, dos descobrimentos de novos sentimentos e também de novas sensações, principalmente nos banhos, quando usava o chuveirinho. Nessa fase, ela olhava para os homens não mais como uma inocente menina, mas como uma mulher em desenvolvimento. Foi também nessa época que Madeleine descobriu a família em que nascera: religiosos extremistas, alienados por suas crenças e extremamente moralistas, por mais falsos que pudessem parecer.

Quando perceberam que os homens já a desejavam, repreendiam-na e mandavam-lhe vestir roupas grandes e folgadas, não usar maquiagem e viver sempre de cabelo preso. Ela contestava. A cinta de couro cantava com rigor e ela obedecia, mesmo com raiva. Dos doze até os dezesseis anos, ela sempre questionou a opção religiosa da família e batia de frente com eles, sendo reprimida pela cinta. Lídia sabe disso porque Madeleine morava nos fundos da casa dela, e dava para ouvir o barulho da cinta em suas costas, os gritos e choros da adolescente e todas as demais surras que ela levava.

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