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Capítulo 32

            O ambulatório da penitenciária era precário: tinha um desfibrilador, um tanque de oxigênio com duas máscaras respiratórias, três macas, um armário de aço com portas de vidro onde eram guardados remédios e seringas, uma máquina de raios-x bem arcaica, dois pedestais de pendurar soro, e uma pia de granito, onde algumas caixas de medicamentos estavam empilhadas.

            A pintura estava suja. Não se via a higiene necessária para um ambiente como aquele,  sobre a parede da  pia existia algum vestígio de que algum dia ali foi uma parede azulejada; viam-se três ou quatro bravos azulejos ainda resistindo, agarrados no reboco podre.

            Se alguém tivesse que fazer algum tipo de cirurgia ali, certamente morreria logo após, de infecção hospitalar. Aliás, tudo naquela penitenciária parecia torcer pela morte de seus detentos. Ela servia apenas como um lugar para se amontoar pessoas até que cumprissem suas penas ou suas vidas se acabassem.

Fausto acordou atordoado. Tentou se mexer na maca onde estava, mas sentiu seu corpo inteiro doendo. Tentou levantar a mão para coçar seus olhos que ardiam, no entanto seus dois braços estavam algemados na lateral da maca. O silêncio seria absoluto se não fosse um velho ventilador que rangia irritantemente no teto.

Fausto virou-se, mexendo vagarosamente seu pescoço que doía muito, e viu Treizoitão deitado na maca ao lado. O companheiro amalucado estava  imóvel. Sobre ele, havia um lençol branco manchado de sangue. Fausto tentou lembrar se durante o espancamento do amigo havia visto sangue, porém não conseguiu. Sua cabeça doía muito e as imagens que ele via ora eram claras, ora eram turvas e tremidas. Fausto tentou firmar as vistas para ver se Treizoitão estava respirando, e nesse momento, as imagens foram sumindo, sumindo, sumindo... Até que o mundo se apagou.

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