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A TRAGÉDIA ROMÂNTICA

Era uma tarde ensolarada de outono na capital. As folhas das amendoeiras caíam das copas com a leveza e a generosidade de uma bailarina invisível, pintada por Degas. Ao longe, um jovem rapaz de nome Cândido vem caminhando pela rua até chegar a uma praça bastante arborizada. Ele chega, olha para o relógio com o mesmo metodismo de quem se preocupa fidedignamente com horários de chegada e respira aliviado ao ver que chegou mais cedo do que o horário que havia combinado.

Vocês devem estar se perguntando neste exato momento: "mas combinado com quem?". Essa resposta apareceu cerca de trinta minutos depois, na forma de uma musa extremamente inspiradora: cabelos acobreados, soltos e lisos, pele alva, estatura mediana, seios, coxas, quadris, nádegas no lugar e saboneteiras fundas que fariam Vinícius de Morais suspirar. Se chamava Lígia e era uma falsa magra perfeita, se aproximando aos poucos de Cândido e ficando ainda mais bela. Assim que ficaram frente a frente, Lígia abriu um sorriso e tudo se iluminou ao redor, tamanho o brilho que saiu daquele olhar terno, que sorria junto com os lábios dela.

Cumprimentaram-se. Lígia sentou-se ao lado de Cândido e começaram a conversar durante um bom tempo. Nessa conversa ele falou de tudo um pouco, e principalmente no quanto gostava dela e no quanto seria feliz se ela estivesse do lado dele como companheira. Para mostrar que realmente sentia algo mais por ela além de amizade, e tinha intenções sérias, Cândido meteu a mão no bolso. Lígia, ao ver a atitude do jovem, enfiou a mão dentro da bolsa e segurou um canivete que sempre trazia consigo. Mas largou o objeto, quando viu que ele retirou um belo anel de prata com pedras semipreciosas e colocou no dedo anelar da bela jovem de vinte e seis anos.

Ela, tendo acabado de receber uma mensagem em seu celular e ainda sorrindo, levantou-se do banco da Praça, agradeceu o presente, disse que gostava muito de Cândido, mas apenas como amigo. Aos poucos ela foi se afastando dele e, no outro lado da praça, um carro já a esperava. Era um C3 Picasso vermelho do último ano. Dentro dele estava um homem ruivo não tão bonito quanto Cândido, de traços holandeses, olhos azuis, a orelha direta deformada, de camisa aberta e fumando um cigarro. Ela entrou, beijou-o ardentemente e, segurando as lágrimas nos olhos para que as mesmas não rolassem como uma cachoeira, foi sendo conduzida para algum desses motéis da vida.

Ela sabe de coração que Cândido, o rapaz que acabou de abandonar no meio da praça era a melhor escolha da vida dela. Mas do que adianta ter ciência de quem é o homem certo, se ela só conseguia se apaixonar pelos cafajestes? Aquela linda mulher tinha o prazer submisso de sofrer nas mãos deles, ser usada e depois largada num canto qualquer. Sabia que apesar de ser uma das mais belas, sua vida era sofrida e infeliz. Mas era isso o que a impulsionava. E enquanto Cândido ia embora pela mesma rua que veio, com um ar de derrotado, Lígia já despida em algum quarto de motel da cidade, se entregava sem pudores aos prazeres de sua psicopatia, enquanto degolava o homem pelo qual a levara embora.

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