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A PARASITA

Avarenta desde que nasceu, Gregória, sempre possuiu um enorme amor ao dinheiro. O cifrão era para ela, como o sinal da cruz. Tanto que ao sair de casa, ao invés de fazer o sinal da cruz, tocava os dedos, indicador e médio na testa deslizava um “S” da direita para esquerda até o umbigo, depois tocava novamente a testa e cruzava de cima a baixo, o “S” imaginário, formando um cifrão. E repetiu esse sinal por anos e anos.

Gregória também não escondia seu amor ao capital financeiro, nem mesmo na hora de escolher aquele que iria dar continuidade à sua insignificância materialista: dispensava todos os pretendentes que ganhavam até dois salários, jogando-se nos braços, movendo montanhas  e casando-se com um que ganhava até quase dez salários mínimos. Porém esse homem era extremamente infiel. Só que ela não se incomodava e sempre fazia vista grossa nas puladas de cerca que o marido dava.

- Eu me casei com o dinheiro, e não com o amor dele. Amor não enche barriga e nem dá luxo a ninguém.

Nas festas, fazia questão de que todas elas fossem americanas, daquelas em que cada convidado contribuía com um prato de alguma coisa. Quando recebia os pratos, Gregória sempre separava a metade. E a outra metade ela servia aos convidados. E quando todos estavam comendo, sentava-se sempre perto da mesa, e observava quem comia muito e reclamava que a comida estava pouca, e quem comia e bebia pouco. E era fazendo essa observação que ela ia podando as visitas e as amizades: os glutões e aqueles que observavam a quantidade e comida e bebida que ela servia, eram excluídos; os que comiam pouco e não reclamavam, eram sempre bem-vindos o tempo todo.

Com o tempo, sempre que o nome de Gregória era mencionado nas conversas, ela era conhecida vulgarmente nas rodas sociais como “a parasita”, pois tinha tudo, sugava de todos e nunca gastava nada. E para raiva maior das pessoas que desfizeram a amizade com o casal ela conseguiu dar continuidade à sua espécie insignificante e teve quatro filhos: dois meninos e duas meninas.

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