Policial-Crime
182
1

Capítulo

Publicidade

Tragédia

Jamais imaginei que enfrentaria tudo que enfrentei até aqui. Jamais pensei que teria que lutar pela minha vida e pela vida das pessoas que eu amo de forma literal. Não sei exatamente como as coisas chegaram a esse ponto, mas creio que eu esteja morrendo. Isso em minhas mãos é sangue. Acho que é meu sangue. Meu estômago dói, e eu sei que tem algo cravado nele. Estou deitado no chão, agonizando. Morrer parece algo bom, agora que eu sei a verdade. Mas preciso aguentar um pouco mais, preciso suportar um pouco mais. Não posso morrer agora, sem que ninguém saiba a verdade. Fui muito longe pra conseguir isso, e não posso levar o segredo comigo. Mas confio em você. Vou lhe contar como tudo começou...

-/-

Dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte! Prontos ou não, aí vou eu...

Afastando-me da parede fria e amarela mostarda, olho em volta a procura do meu irmão e dos meus primos. Jonata o meu irmão do meio tem oito anos. Ele é mais parecido com a minha mãe, tem cabelos lisos, que grudam na testa porque vive correndo, é moreno, e tem olhos castanhos claros. Eu estou com doze, sou mais parecido com o meu pai. Tenho cabelos cacheados, quase crespos para falar a verdade. Sou bem magro, e tenho olhos idênticos ao do meu irmão. E o caçula João acabou de completar um mês de vida. Seu pouco cabelo que já nasceu é tão liso e escuro que chega a escorrer pelos dedos. Ele foi o único que nasceu com os olhos verdes da mamãe. Estamos na casa da Vovó Ana, onde moramos desde o nascimento do João, brincando de esconde-esconde enquanto mamãe toma café da tarde com a minha tia e a Vovó. É sábado.

A varanda onde estamos brincando tem um espaço amplo, mas cercado de vasos de flores, pertencentes a minha vó. É o seu hobby favorito, e ela as tratam com tanto mimo que às vezes sinto uma pontinha de ciúmes. Da porta posso ver a minha mãe sentada de pernas cruzadas, com um vestido cumprido rosa claro que lembrava iogurte, e cheio de flores, provavelmente margaridas, calçando chinelo. Ela tem um sorriso branco, e os cabelos são cacheados, loiros e longos, até a altura da cintura. Mamãe tem olhos verdes cintilantes que pareciam esmeraldas na luz do sol. Seu nome é Jessica. Do outro lado da mesa posso ver minha tia, baixinha e com seus sessenta e cinco quilos, cabelo liso escorrido e escuro; deveria estar contando uma de suas muitas histórias. Ela tinha o dom de tornar qualquer história trágica em cômica. Vovó estava sentada na ponta da mesa, com seus cabelos grisalhos e cu

...

...

...

É preciso estar logado para visualizar o restante do capítulo.

Este conteúdo é protegido pela Lei nº 9.610/98 – a Lei de Direitos Autorais.
Assinar ou apresentar como seu é crime pois viola os direitos de autor.

O acesso a este conteúdo é registrado de acordo com as políticas de uso.

Ir para outro capítulo:

Capítulo comentários

É preciso estar logado para poder comentar. clique aqui para entrar ou fazer o cadastro.

Comentários

Carregar Mais

Livro compartilhar

Olá , você pode compartilhar ou convidar seus amigos, para ler esse livro através do Facebook, Twitter ou Email.