Rom Hot
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5

Capítulo

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1

Júlio estava doido para ir para casa para fazer sexo com um estranho. Fazia apenas algumas horas que havia transado loucamente com um rapaz, que nem se deu ao trabalho de perguntar o nome, e já sentia como se fizesse uma eternidade. Mas à medida que os minutos se passavam mais gente aparecia querendo que ele autografasse um livro e tirasse uma foto com eles. Júlio sorria e atendia aos pedidos, desejando intimamente que aquilo terminasse logo, mas não podia reclamar por estar acontecendo, afinal era o que havia buscado durante anos e o que pagava suas contas agora.

No auge dos seus 27 anos, Júlio Cintra se tornou um escritor renomado no Brasil depois de lançar uma série de livros, que aos poucos foi se tornando um fenômeno país afora. Mas só ele sabia o quanto suou a camisa até chegar ali, com filas quilométricas de leitores ávidos para consumir suas histórias. Foram noites insone, planejando e escrevendo aquelas obras e, ao que pareceu, milhares de “nãos” de editoras até chegar à conclusão de que não dependeria disso para continuar. A luta só havia começado.

Era tão difícil ganhar nome sendo escritor no país em que vivia que por muitas vezes ele pensou em desistir, por estar cansado e desmotivado. Tendo que trabalhar em um escritório de advocacia durante o dia — profissão que não gostava, mas que havia seguido depois de tanto que os pais lhe infernizaram dizendo que deveria seguir aquela área, porque o pai já fora um advogado renomado no país — e em casa durante a noite, para dar continuidade ao seu sonho. Pediu demissão do seu trabalho quando sentiu-se seguro, mas os seus pais não lhe apoiaram na decisão, pois diziam que iria morrer de fome, e se auto publicou investindo o dinheirinho que tinha guardado com tanto custo durante anos.

Quando conseguiu publicar seu primeiro livro, nem mesmo os que se diziam seus amigos compraram sua obra, com exceção de Carlos e Luís, que eram realmente seus amigos. Mas Júlio tinha espirito de brasileiro e não havia chegado até ali para desistir tão facilmente, então se dedicou ainda mais àquilo se divulgando e saindo pelas ruas, nas Bienais, em feiras literárias, livrarias e calçadões, tentando ser notado pelos viajantes que não prestavam a mínima atenção em um homem com uma mochila cheia de livros para vender.

Mas enfim conseguiu, de repente Júlio começou a vender seus livros e receber encomendas que não estava dando conta sozinho. Só quando já tinha vendido muitos exemplares, quando seu livro tinha muitas visualizações no aplicativo de leitura, que uma editora renomada entrou em contato com uma proposta contratual. Júlio pensou em recusar, pois sentiu o preconceito-literário das próprias editoras na pele, mas depois de pensar muito a respeito acabou aceitando a proposta e de lá para cá foi tudo mais fácil.

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