Não Frágil

Terror

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Não Frágil
ATO I

Enquanto eu estava naquele compartimento de carga do caminhão em movimento, eu era constantemente bombardeada com reflexões sobre aquelas pessoas, particularmente no que diz respeito ao desprezo que os mais fortes sentem para com os mais fracos, e em como o ódio se confunde com o desejo nas mentes distorcidas. Por que esses homens odeiam tanto as mulheres? Eu me perguntava, ao mesmo tempo que começava a perceber que, possivelmente, por detrás de todo esse ódio, existe uma fragilidade desesperada para sempre se manter no poder, um jeito medonho e intimamente patético, cultivado em suas mentes desde que vieram ao mundo, de se provarem perante si e para uma sociedade tão decadente quanto, seja por meio da crueldade, seja por meio do desumano.

Desumano sim, pois, o ser humano em si, assim como qualquer outro animal, não é um ser maligno. A maldade começa quando ele se distancia da própria natureza, não reconhecendo mais quem é e muito menos os seus iguais, e quanto mais eu os analisava e pensava no assunto, mais pena deles eu sentia, assim como me tocava que eu havia entrado numa tremenda enrascada.

Todos aqueles rostos possuíam uma história, todos aqueles corpos de meninas, apertados uns contra os outros, portavam um coração que batia de modo amedrontado, acuado e esmagado pela força do ódio daqueles homens, e as mentes talvez buscassem se apegar à mínima forma de esperança. Todos, dos de alma mais fervorosa à mais cética, tendem a imaginar essa possibilidade de salvação em momentos como aquele, ou até em piores. Quem sabe Deus as ajudaria. Quem sabe outros, munidos de sede de justiça, combatentes do crime, surgissem, assim como nas belas histórias, para dar fim àquela malignidade.

Bem, eu não esperava nenhum milagre do tipo, pois meu coração ansiava por coisas mais sombrias.

Só que devo confessar que a situação me preocupava, fosse a possibilidade da minha morte, fosse o modo como minha família encararia aquela minha aventura. Entrementes, pode não parecer, mas eu não era como aquelas meninas, mesmo que minha aparência fizesse com que qualquer um duvidasse dessa afirmação. Sendo assim, mantive a calma e observei com atenção aquele cenário, aquele compartimento de carga escuro e sacolejante, as meninas choramingando à minha volta, sentadas no chão, cabisbaixas, acuadas pelos dois homens armados.

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