Terror
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Capítulo

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O Disco na Feira

Para Carla, o pesadelo começou em uma feriado de sete de setembro que naquele ano caiu numa abençoada quinta feira, criando um feriadão de quatro dias. Carla pode deixar o campus da faculdade de lado, e também o pequeno apartamento que ela “dividia” com sua melhor amiga, Marina. As aspas estão ali não por acidente, Marina era uma jovem riquíssima, porém problemática, mas esse é um assunto que ainda pode esperar. No momento devemos falar do ônibus das sete horas, partindo de Florianópolis com destino a Balneário Camboriú, que levava Carla, encostada a janela lendo um exemplar nada novo de It, um presente que ela ganhara de Marina, depois que a mulher voltou de uma viagem aos Estados Unidos. Carla nunca tinha deixado o Brasil, e, se desse ouvidos a mãe, talvez nunca tivesse deixado Camboriú. Sra. Rita era uma mulher que amava muito

    Enquanto a paisagem se desenrolava na janela, Carla tentava prestar atenção apenas na página do livro, sabia que se desviasse a atenção por um segundo, acabaria ficando enjoada. Embora a mãe nunca tenha entendido os motivos que levaram sua filha a abandonar o lar, o pai a compreendia perfeitamente. Quando Rita não estava olhando, Pedro chamava Camboriú de “um buraco”, e, se se empolgasse muito, chega a dizer coisas como “Eu também queria me mudar, não tem nada aqui além de uma igreja sem graça, e o salão da igreja sem graça”. Mas no fim ele gostava da mulher o suficiente para aguentar viver naquele lugar que tanto abominava. Fora Pedro quem a ajudara a pagar pelo vestibular, ele lhe deu o incentivo para escolher a melhor faculdade que ela pudesse, sem se importar com a dist&

    Carla riu de algo no livro. Faltava menos de uma hora até ela chegar, se a sua estimativa de tempo versus páginas estava correto. O homem que estava sentado ao seu lado se virou para olhá-la. Quando olhou o livro que a jovem carregava pela primeira vez achara um exagero, mas aparentemente ela estava se divertindo. Carla normalmente gostava de andar de ônibus, era um tempo em que ela não tinha obrigação de fazer coisa alguma além de esperar o tempo passar. Ela costumava ler nessas ocasiões, especialmente se a viagem fosse muito longa.

    Rita tinha ligado na noite anterior para avisar que Camboriú, além do desfile, também abrigaria uma feira. Venda de artesanatos, antiguidades e toda uma variedade de quinquilharias, e, obviamente Carla fora convocada para acompanhar a mãe. Mais uma página virada. A mãe insistira no fato de que seria divertido ir até lá dar uma olhada. Carla deu de ombros, mesmo sabendo que Rita não poderia ver, e disse que sim, claro que ela iria junto.

    Um rápido desviar de olhos mostrou uma igreja amarelada que Carla sempre usava como referência para saber se estava perto de casa. Estava quase chegando, quase chegando. A mãe disse que queria comprar alguma coisa, se achasse algo que valesse a pena, e Carla pensou que compraria um churros, porque isso com certeza valeria a pena. Carla foi obrigada a deixar o livro de lado, se recomeçasse a ler era certo que vomitaria o ônibus inteiro antes de chegar. Puxou da mochila um fone de ouvido e o celular. Não havia nada além de indie, rock, punk e new wave na playlist, Carla não era eclética quando o assunto era música.

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