No Porto ao Leste

Drama

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No Porto ao Leste
No Porto ao Leste

  Quando saí da escola, fui parado por três garotos do primeiro ano, veteranos, que me socaram dizendo: "A culpa é sua dos mares estarem revoltos!". Era a primeira vez que isso me acontecia; eu não sabia o que fazer nem oque dizer. Levava chutes no estômago e socos nas bochechas. Por ser fraco não pude fazer nada, nem mesmo chamar por ajuda. Eu tentei, mas quando disse "Socorro!" Um dos valentões me jogou no chão e ficou em cima de mim, socando meu rosto mais forte.
  Eu pensei que fosse morrer, mas então entendi que essa não era minha hora.
  Um garoto havia chego quando eu iria desmaiar (havia ficado com hemorragia interna, provocada pelos chutes e socos que, literalmente, quase me tiraram a vida) ele era muito alto e musculoso; algo me dizia que era do terceiro ano. Amedrontando facilmente os valentões me levou, rapidamente, ao hospital. O edifício era público e tinha uma estrutura antiga (como a minoria das casas do litoral) tinha uma cor rosa com alguns pigmentos de azul claro. Quando adentramo-nos o edifício, eu desmaiei, havia perdido consideráveis quantidades de sangue que ainda escorria da minha cabeça sujando o chão do hospital.
  Após alguns minutos, acordei em uma maca, quase que, totalmente, enfaixado e com muitos tubos em meu corpo; eu tinha asma então estava necessitando de um tubo para respirar adequadamente. Sentia-me impotente e muito cansado, não conseguia recordar do havia acontecido... Talvez tivesse batido minha cabeça com muita força. Quando me virei para chamar uma enfermeira, vi num criado-mudo, uma cartinha onde estava escrito...

"Caro Lincoln, te ajudei da forma que pude, não consegui mais fazer algo se não passar alguns dias no hospital com você para ver se acordaria do coma. Acho que não deves ter lembrado-se de mim no "calor do memento" e, não sei se recordaria nem se me analisasse de ponta a ponta por todo o tempo do mundo. Mesmo assim, ainda tenho um pouco de esperanças que podes me achar com uma dica que lhe darei: "Lulas ao mar apenas nadam, águas-vivas ao mar apenas dançam; plânctons ao mar apenas vivem."

  Dei um breve suspiro pensativo, imaginando as possibilidades de quem escrevera a carta, quem me salvara da morte. A dica era uma canção que apenas marinheiros cantavam quando iam pescar, um boato dizia que a música atraía peixes e afastava tempestades, ou seja, meu salvador era, de fato, um marinheiro.
  Pensei em todos os marinheiros que conheci, não eram muitos, mas talvez fosse um deles. Veio-me a cabeça apenas um velho amigo de meu falecido pai, Joseph, um idoso desaparecido em alto-mar chamado Herbert e um amigo de infância chamado Lair. As opções eram vagas, por que eu nunca tive uma memória muito boa dos meus tempos de velejo.
  Bateu-me uma breve nostalgia das vezes que velejava com meu pai; costumávamos cantar a cantiga cujo refrão era o mesmo do descrito na carta.
  Eu não conseguia para de pensar na pessoa que me salvara, estava, realmente, louco com todo esse suspense e memória falha. Eram poucas as minhas lembranças de quando velejava. Teve uma vez em que eu fui velejar sozinho pela primeira e última vez; acabei perdendo o controle do barco numa tempestade que, por sorte, era fraca. Consegui sobreviver, mas bati minha cabeça muito forte contra uma grande pedra, o que me fez ficar com, tantos, problemas de memória.
  Não gostava de ficar quieto quando criança, não parava nunca, eu era, praticamente, hiperativo, mas, quando o incidente veio a acontecer, me tornei mais retraído e quieto.
  No meio dos meus devaneios, uma enfermeira adentra o quarto e me dá alta.
  Andando sem rumo para o nada, tentei recordar da jaqueta que meu salvador estava usando na hora, lembrei-me de que nela estava escrito seu nome e número do time: Sebastian, número onze.
  Sebastian parecia um nome familiar para mim, mas ainda não conseguia recordar.
  Eu estava cantarolando a música que atraia peixes e afastava tempestades enquanto pensava sobre a jaqueta. Costumava cantar esta música com meu pai, mas tinha mais alguém...
  Pouco à pouco eu tentava recordar até que lembrei quem era Sebastian. Ele não havia mencionado na carta onde eu poderia encontrá-lo, mas eu já sabia. No Porto ao Leste, onde eu e ele armamos o barco juntos para velejar sem nosso pai. Infelizmente, quando partimos, fomos em direção à uma tempestade, Sebastian cantava a música enquanto tentávamos voltar; quando fizemos a curva, uma onda se quebrou em nosso barco, nos levando com ela em direção à praia, que não estava tão longe. Com o quebrar da onda, Sebastian soltou do pequeno mastro do barco e eu o segurei; consegui o fazer segurar novamente no mastro, mas então eu escorreguei e bati com minha cabeça num rochedo. O salva-vidas nos viu na tempestade e mergulhou para me salvar com êxito; Sebastian conseguiu o controle do barco e foi assim que conseguimos sobreviver à nossa primeira saída em alto-mar.
  O dia estava acabando e eu queria rever meu irmão que havia saído de casa depois do incidente; logo depois da saída de Sebastian de casa nosso pai veio a falecer. Uma vez eu tentei suicídio por imaginar ser minha culpa de meu irmão e meu pai não quererem mais estar presente, fui internado no hospital psiquiátrico e consegui me recuperar. Sendo menor de idade, fui forçado a ficar à custa de um tio meu; mas ele abusava de mim em todos os possíveis sentidos e eu, mais uma vez, fui internado por tentar suicídio. Então eu passei a morar com um psiquiatra do hospital onde me tratava; ele era bondoso e me amava, admito que era recíproco; eu o amava e não me importava em ser gay se estivesse perto dele. Mas ele veio a falecer e eu voltei a tentar suicídio, desta vez eu não consegui me recuperar completamente e ficava me cortando sempre que tinha chances.
  Eu nunca quis tanto morrer quanto no dia da morte do meu amado. Meu mundo parou de girar e eu queria, somente, gritar. Eu tinha avisado a ele que o câncer era algo extremamente importante para se cuidar, mas ele se desleixou cada vez mais, até que o dia do seu óbito chegou.
  Pensando em todas as vezes que eu tentei morrer eu corria até Sebastian sem parar; quando o encontrei, ele estava encostado em um sedã preto, o que me fascinou.
  Quando eu ouvi o seu calmo "olá." não consegui me conter, corri para abraçá-lo. Conversamos muito sobre nossas vidas. Quando o fim do dia chegou ele foi para uma pousada e eu fui para o porto, onde finalmente dei meu adeus ao mundo.

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