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Deus Ex Machina - Tiago Masutti

Tudo é escuridão e silêncio aqui.

Já tentei esticar os braços e pernas inúmeras vezes. Nada acontece. Eu estaria propenso a dizer que sinto apenas o vazio ao meu redor. Mas até mesmo essa impressão não é apropriada, porque não “sinto” realmente. Nem tenho impressões propriamente ditas. Apenas penso. Reflito. Exerço meu poder de raciocínio. Aliás, será que tive um incremento significativo em minha inteligência, depois do que aconteceu? É estranho, mas acho que não tenho como saber se eu era mais ou menos inteligente antes disso.

Eu lembro das coisas lá fora. O mundo real. Os últimos peixes, florestas e jardins eram cenas de filme noir. As metrópoles de nossos tataravós estavam abandonadas. Muitos de nossos irmãos morriam de fome ou câncer a cada ano. A maior parte da água estava pútrida e os solos eram ácidos. A Lua ainda operava com poucos recursos, mas no geral o projeto havia sido um fracasso. Marte também estava praticamente abandonada ao seu destino, em meio à poeira de ferrugem e à radiação cósmica. Que tipo de protetor solar seria necessário para ficar seguro em clima tão inóspito?

Fico muito tempo pensando naqueles pobres colonos, que deixaram nosso antigo grão de areia (que um dia foi azul) em busca de melhores condições de vida na quarta rocha a partir do sol... Afinal, por que colonizar o planeta vermelho, se as condições por lá eram tão adversas quanto na Terra? Se bem que os planetas mais amenos estavam tão longe, e a paisagem aqui era tão degradante. Ao menos Marte apresentava-se em seu estado natural. Frio e sufocante, mas honesto.

Porém, acredito que o aborto do grande projeto colonial em nosso sistema solar tenha sido deliberado, de alguma forma. Nos escritórios virtuais da Facegoozon, ou numa plantação terceirizada de curtidas e impressões 3D, em Moscou. Eles queriam que isso acontecesse. Quem se importa? Sei que, pouco antes do que me aconteceu, a Eurasia Force 2, com base operacional em Urumqi, lançou uma arca geracional para Alpha Centauri. Quinhentos anos para o sistema estelar mais próximo. O trilionário texano Rick Bandana pagou todos os custos do empreendimento - e deixou a Terra junto com a nave. Seus amigos abastados da Riviera Siberiana o acompanharam em uma viagem só de ida. Enquanto isso, no pólo sul, a Fiebre Antártica se espalhava rapidamente.

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