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Asas e Espinhos - Emily Amite

 

O começo da madrugada se aproximava, junto vinha o frio congelante e agourento como se não me quisesse ali. O início do inverno, sem dúvida. Estava tão focado em chegar rapidamente aquele pedaço de chão esquecido pelos deuses, que havia me esquecido que as estações em nossos reinos eram diferentes.

A floresta que eu sobrevoava terminou de repente, revelando o castelo modesto no alto de uma colina no centro da pequena cidade erguida sobre pedras, mais uma proteção inútil contra o meu povo, como se nosso fogo não pudesse derreter rocha e transformar a cidade em ruínas. Não haviam luzes nas casas e a névoa densa e fria que cobria os vales já se aproximava dali. Era hora de pousar e encontrar uma caverna para passar a noite em um lugar afastado, não seria bem recebido com minha verdadeira forma ali, um movimento em falso, poderia pôr parte do castelo abaixo. Ao amanhecer mudaria minha forma e iria até o castelo cobrar minha dívida com o Rei Vicerne, o preço pelo tratado de paz que ele firmou com reino flutuante de Dracken, meu reino.

O frio estava castigando minhas asas, sentia a membrana lisa doer devido as rajadas de vento cortante, então, desci em espiral procurando abrigo pelos campos próximos ao redor da cidade. Reconheci uma plantação de ervilhas a menos de um quilômetro da entrada principal, não havia nenhuma caverna próxima, mas um galpão grande o suficiente para que pudesse me acomodar durante a noite, me esperava no fim da fazenda.

Sobrevoei a fazenda sem chamar atenção, pousado a poucos metros do galpão e caminhei em passos suaves. Com uma fração de meu poder, abri as portas desgastadas, varri o local com os olhos e ao constatar que não havia ninguém, entrei com as asas coladas ao corpo e me deitei sobre o feno espalhado pelo chão. O local improvisado para descanso não me incomodou, já havia dormido em locais piores, pelo menos ali era quente e seco e não precisaria espalhar uma rajada de fogo para aquecer meu couro. Mesmo sentindo a necessidade de friccionar as presas e soltar uma faísca, suprimi a ideia que podia levar aquele galpão ao pó em poucos instantes, então adormeci apoiando a cabeça sobre um bolo de feno.

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