Capítulo

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15 de Abril, 1915

Três anos depois que o navio foi a pique, estou aqui, vivo. Desculpe meu diário, eu demorei para retornar, eu sei, mas eu não estava pronto para reviver as memórias daquela noite fatídica, não até esse dia. Aconteceram muitas coisas desde cheguei com vida ao porto de Nova Iorque, depois de ser salvo pelo único bote salva-vidas que retornou para tentar resgatar mais alguém que teria sobrevivido. Quando finalmente consegui me sentir bem depois do naufrágio ocorrido, eu procurei por Jonathan, eu juro que procurei pelo meu amor por toda a grande maça, porém eu não conseguia encontrar nenhum sinal de vida. Ocorreu-me que ele poderia ter regressado à Inglaterra com sua mãe, então, somente depois de alguns dias me ocorreu a simples ideia de procurar por seu nome na lista de sobreviventes que foram d

Ainda me lembro como li sobre a sua morte, foi ao comprar um exemplar de um dos jornais que divulgariam a lista de sobreviventes e mortos. Eu não procurei por seu nome na primeira leitura, pois não acreditar na ideia de meu inglês estar morto no fundo do oceano. Bem, uma das primeiras coisas que vi naquele jornal foi seu nome sendo anunciado como uma vítima, assim como outros grandes aristocratas. O mais engraçado, de uma forma bem irônica, é que, só foram citados nomes de pessoas com dinheiro nos jornais, assim como as lamentações das mortes foram somente para pessoas da alta sociedade inglesa e novaiorquina.

Depois de ler o nome de Jonathan entre os mortos, passei mal e tive que voltar para o pequeno apartamento onde eu estava vivendo desde que deixei o navio. Esqueci de te dizeres que nessa época estava sozinho? Me desculpe, ultimamente a minha cabeça anda muito cheia, devido as últimas coisas que me aconteceram desde que cheguei no Brasil. Enfim, eu estava sozinho… Talvez, de certa forma eu ainda esteja sozinho, não sei. Meus pais morreram no naufrágio, pois de uma forma que não consigo entender até hoje, simplesmente aceitaram a sua morte porque sabiam que não conseguiram se salvar depois da primeira classe.

Quando eu descobri que não ia mais ver o meu Jonathan novamente foi decisivo para a minha mudança, depois de uma semana eu deixei Nova Iorque de navio, voltei para Portugal para fazer uma visita a alguns parentes distantes que me ajudaram muito com minha mudança e em seguida fui para o Brasil já com um lugar para me estabelecer e desejando uma vida nova, uma vida diferente da que eu desejava antes. Não voltei a amar outro homem, não sei dizer se isso é feliz ou infeliz, o único homem que amarei de forma carnal e romântica será o meu eterno Jonathan, nenhum outro poderá ocupar o lugar que ele ainda ocupa em meu coração.

Olhe só, eu estou a fugir do assunto mais uma vez, eu deveria falar sobre o meu tempo no naufrágio, para esquecer os sonhos que venho tendo… E estou falando do meu falecido amante, que Deus o tenha.

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